quinta-feira, 7 de novembro de 2013

[...] lembranças do passado [...]


Se pisar todos os caminhos e locais onde já estive, ainda sinto uma leve sensação de felicidade mas também um enorme aperto no coração. É triste saber que nada voltará.. Estranhamente é quando mais sinto saudade do passado, apesar de todos os dias o sofrimento ser visível, era tudo tão mais fácil. Tudo desaparecia a partir do momento em que saía de casa sem dizer uma única palavra. Conheço como a palma da minha mão todos os locais onde já estive. Lembrar-me-ei de todos os momentos que passei com os meus e até dos momentos em que passei sozinha. De todas as loucuras, risos e corridas pela praia fora. Do silêncio que se fazia enquanto se ouvia e via o bater das ondas. De todas as promessas, erros e segredos. De todos os que foram levados como pó e daqueles que perdi. Lembrar-me-ei de quem eu fui e como nunca mais me encontrarei. Dava tudo para voltar a ser essa pessoa, talvez lá no fundo tivesse uma fonte de força. A minha frieza fazia com que ninguém me atingisse, o meu silêncio destruía qualquer um e os meus erros fizeram-me crescer. A praia sempre será dos sítios mais importantes da minha vida. Foram os melhores momentos, os melhores anos da minha vida e então é quando percebo que perdi tudo e pior, é que me perdi também!

[...] i'm sorry [...]

Foi preciso dizer-te que não aguentava mais e estava no extremo para tu finalmente perceberes, mãe. E foi quando tu me abraças e choras dizendo que gostas de mim. Há mais de cinco anos que não recebia um abraço teu, achas que preciso agora? Mas nem por isso deixei de te pedir desculpa depois de tudo o que ouvi. Sei que fiz tanta coisa e não me lembro, dói saber que não me irei lembrar nunca. Desculpa se te bati e não me lembro, a minha cabeça não estava bem e a droga apenas piorou. E tu contaste-me que te bati porque ia estrada fora e tu apenas me impediste. Desculpa por te ter feito dormir um ano inteiro comigo e veres e saberes coisas que não devia fazer. E desculpa por tudo o que fiz e não me lembro! Parei por minutos quando me disseste que tu e o pai já me haviam perdoado há muito tempo. Parei quando soube que o pai sempre soube de tudo e quis falar comigo, mas tu não permitiste devido ao problema de coração que tem desde novo e que eu nunca soube. Mas sabes mãe, não havia nada que me magoasse tanto como o facto de passarmos um pelo o outro e nenhum dos dois dirigir uma única palavra. Se eu era fria, ele conseguia ser mil vezes pior. Foi sem duvida o silencio que mais me magoou até hoje. Perguntei-te porque continuas com ele mesmo após ele ter-te batido e adiante (...) E foi quando me disseste que no próprio dia ou no dia seguinte depois de o fazer, ele te pedia perdão e jurava pelo morte do seu pai que nunca te quis magoar, que te ama e que não existe outra mulher como tu, mas que todo o seu nervosismo, toda a sua magoa, raiva e desilusões o impedia de ter calma e de agir racionalmente. Hoje, sei que se arrepende tanto e nem te toca. Não ouço um levantar de voz por parte dele.. o seu coração já não aguenta. É nestas horas que se vê realmente toda a verdade e sei que se o pai um dia morrer, a minha consciência ficará pesada para o resto da minha vida. E no meio desta conversa toda, dizes-me que a maior desilusão seria eu voltar ás drogas e que o pai apenas quer que eu seja feliz.
Mãe, mesmo assim há coisas que gostava que tu realmente soubesses, mas não podes. E mesmo assim, há coisas que não consigo perdoar, pois nunca me esquecerei de todas as palavras ditas e marcas no meu corpo. Desculpa se não sou quem querias que eu fosse.