terça-feira, 27 de novembro de 2012

sábado, 24 de novembro de 2012

[...] Apesar de [...]


Apesar de querer muito sorrir , eu não conseguia … Aparentemente estava tudo bem , só que para onde quer que eu olhasse tudo estava a desabar. As minhas mãos estavam tremulas e a minha respiração acelerada . Eu não queria pensar em mais nada , só que os meus pensamentos possuíam vida própria … Por fora —apesar de todo o olhar— eu estava calma e por dentro — exactamente por todo o olhar— eu sufocava . Parada e a tremer, isso definia o meu estado naquele momento. Dava para ver nos meus olhos e nos meus gestos que  queria chorar , mas era estranho o modo como eu bloqueava isso. Respirava fundo como se isso me acalmasse e olhava para cima como se pedisse ajuda . Não falava muito apesar de toda a conversa em meu redor , só mantinha o pensamento longe . Nada arrancava um sorriso de mim.. Um olhar triste e o pensamento distante .

terça-feira, 20 de novembro de 2012


Ao meu redor, apenas um espelho repleto de marcas, por entre elas escassamente posso ver a minha imagem, ou o pouco que sobra dela.

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

[…] só falam […]

Falam de amor, como se soubessem tudo disso
Amor não passa de uma ilusão, mas para quem ama,
Uma ilusão permanente
Quem ama, ama de coração, corpo e mente
Dá a sua vida e é capaz de matar uma.

[…] Pai […]

Como lamento o facto de sermos parecidos.. A maneira de agir e reagir, de falar e termos uma raiva, um intuito nervoso em comum.
Já parei tantas vezes para perceber o porquê de tantos anos a usar a força para resolver as situações.. Não consegui perceber! Ou percebi, mas nada justifica o facto de o fazeres.. viste no que se tornou? Uma sequencia.. tu, mãe, eu. Agora porquê eu? Eu sei, já o disseste vezes sem conta que sou diferente e realmente sou. Ao contrário da pessoa a quem definem de filha perfeita eu não o sou, nem nunca o irei ser. Também não o desejo.. e não te posso perdoar por o fazeres!
Sei que te desiludi, sei bem.. Mas no fundo, eu não passo de restos, não passo de um objecto que foi usado e largado para o meio de uma estrada. Sei que nunca me vais perdoar por me ter metido nas drogas, enquanto tu me pedias, com todas as tuas forças, para estudar, para ler isto e aquilo e ver aqueles programas a que tu definias interessantes. Nunca percebeste que não era isso que eu queria! Mas preferiste tudo isso em vez de me vires falar.. sei, sei bem, o orgulho falou mais alto. Mas, sabes Pai, não me arrependo por o ter feito, porque foi uma escolha minha e unicamente minha e isso tu nunca vais aceitar. Não lamentes, não sintas pena, eu fui feliz! Porque, eu tive tudo aquilo que vocês não me deram, nem mesmo tu Pai.. a felicidade.


[…] a primeira de muitas […]

Uma vida inteira a tentar ser feliz, uma vida inteira a tentar deixar o sofrimento, a deixar o que me destruiu..
Duas da tarde, saindo porta fora indo para a escola, a ideia já estava fixa há muito.. mas um dia ia acontecer. Perdi-me no caminho, fui ter a outro, no entanto era esse outro que eu queria.. fui ser feliz. Esvaziei um maço para matar a ansiedade, mas não deu resultado. Quis respirar algo que não o ar, era tão falso.. viver para morrer. Eu tinha de o fazer. Voltei para a escola, fechei-me numa casa de banho e agora eu, unicamente eu e quatro paredes.. Senti então, a necessidade de ver sangue, peguei no objecto mais desejado na altura e cortei-me não só a minha pele mas a mim também. Já estava em bocados, bocados de mim que há muito já se haviam perdido.. E foi neste dia, foi neste dia que descobri o que mais temia […]
Foram dezoito, disse adeus ao mundo, fechei os olhos e cai.

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

[...] a memoria de uma infância perdida [...]


Re(lembro) um tempo que já passou. Um tempo de mentiras, de falsas promessas. Enquanto as minhas mãos escrevem rapidamente para que nenhum pensamento se perca, o meu corpo esfria.
Memórias, são tão permanentes, tão fortes, tão verdadeiras que não dão para se apagar. Tenho milhares de memórias e uma alma vazia.
Infância, uma palavra tão terna, tão suave, mas que para mim, toda ela me faz sentir dor. Dor de a ter perdido.
Mas posso sempre lembrar-me daquele verão, também é só desse que eu desejo me lembrar, só esse que quero.. As idas há praia, ainda choro a ver aquela fotografia, lembras-te? Carinhosamente, tratavas tão bem de mim.. Os teus abraços que me protegiam de todo o mundo, as palavras lindas que me faziam acreditar num mundo perfeito e me faziam sentir uma criança feliz.
O que me resta dizer e lamentar é que tudo isso se perdeu.. eu, tu e a minha infância.

sábado, 10 de novembro de 2012

[...] como? [...]



Em busca de algo que perdi,
Friamente caminhando, tentando descobrir o caminho de volta,
Arrepios, medo, dor.
A chuva não apaga as chamas que o meu corpo se encontra,
O vento não as leva..
Pergunto-me então, como vocês conseguiram desfazer-me em cinzas? (…)

[…] …. […]


Caminhando sobre a areia fina, devorada pelo vento, vejo o bater das ondas, a força do mar que me chama a cada passo meu.. Não sei para onde vou, mas em mim paira um desejo tranquilizante de apagar as chamas em que me envolvi. Não penso, não falo, a minha respiração acelera, caminhando numa direcção sem direcção..
Posso agora dizer que me descontrolei, mas estou calma.. confusão para vocês, para mim não. Tudo está esclarecido.
Foi questão de segundos, percebi então que o mar levou tudo só não me levou a mim […]

[...] e quando me perguntarem [...]


Sim, eu perdi-me. Não porque quis, talvez porque fizeram com que isso acontecesse.. Juro que tentei, tentei aguentar de mil e uma maneiras, mas nenhuma dessas resultou. Fizeram-me sentir como um resto de tudo e nada.
A frieza que agora percorre em mim, veio para ficar […] Pairou sobre mim sentimentos de uma pessoa que fui. Pode até parecer que estou nervosa, descontrolada mas não estou. Pelo contrário, sinto-me bastante calma e sei que nunca conseguirão perceber isso.
Se me calo é porque até as minhas palavras se cansaram de sair em vão, tentando mostrar tudo e acabando por mostrar nada.
Pensamentos, aqueles.. óh! Esses mesmos, sei quais são (…) E quando eu já pertencer á noite irão perguntar porque morri e no céu estará escrito: “sufocou-se com as suas próprias palavras”.

[...] a pergunta [...]


Nunca ninguém percebeu o gosto que tenho pela noite, o orgulho que mostro e a felicidade que sinto.
“O que vês na noite?”- Perguntaram-me. A noite para mim é a melhor coisa do mundo. O silencio que me tranquiliza, a escuridão que me consome. Durante muito tempo foi ela quem me guiou quando me perdi em mil e um caminhos.. Ela sabe tudo de mim, toda a minha vida, nunca precisei de lhe dizer nada, ela sabe-o.
Debruço-me sobre a minha janela e olho-a com um brilho nos olhos como o brilho de uma estrela. As estrelas também lá estão, mas não me pertencem. Só a noite, é a noite que me encanta! O silencio que mais desejo na vida (…)
E se assim for, quero morrer numa noite, porque ela saberá tudo mas o mundo nunca irá descobrir..

[...] re(lembro) [...]

Hoje, hoje foi porque quis, quis voltar a um tempo que já foi meu, lembrar e relembrar de coisas.. daquele dia em que discutiram, o dia em que vi e ouvi e fingi o que não queria.. Fingindo que nada aconteceu, sai porta fora: “vou ter com as minhas amigas” serviu tantas vezes de desculpa […] Apenas mais do que nunca, nesse dia fui procurar o meu próprio eu, porque é aquilo que fui, é aquilo que sou e finjo não ser.
Buscando a ilusão da felicidade, fui feliz. Lá estava eu, num mundo perdido, tantos delírios, tantas loucuras.. por umas horas fiz tudo o que tinha a fazer.. consumi, cortanto a felicidade.. tentei esquecer o erro de ter nascido, então perdi a noção, a noção do tempo, a noção de onde me encontrava, perdi a noção de mim mesma.
E tudo passou, lentamente regressando a casa.. a tua ignorância falou mais alto mãe, a vergonha de ti também pai e se existia algo que me fizesse feliz, não eram vocês, mas sim o que tinha dentro de mim.

[...] Pai? Mãe? [...]

Cansei de vocês, na verdade já há muito tempo. Cansei de não levarem as minhas atitudes a sério. Acham que tudo é mentira.. Acham que não me importo, que não sinto, que sou uma qualquer, que não tenho sentimentos! Como estão enganados.. não esperava outra coisa, não me conhecem. Eu tenho sentimentos sim e se não percebem isso, não irão perceber mais nada.
Eu erro, erro pois. Mas isso vocês tem de aceitar da mesma forma que aceito todos os vossos e mais alguns..
E no fim, só peço que pensem nos vossos erros, no que estão a fazer porque os meus erros, eu já sei quais são.

[...] o céu espera por mim [...]

Ás vezes ainda me perguntam.. onde está aquela miúda? Aquela miúda que por onde passava espalhava alegria e com o toque do seu sorriso, ninguém conseguia ficar sério perante ela. Passava o dia inteiro com aquele lindo e belo sorriso que na verdade, brilhavam mais do que todas as luzes do mundo inteiro (…) Quem diria que aquela miúda tinha tanto por dizer? Tanto que nunca disse. As aparências iludem e á custa disso as pessoas esqueciam-se que ela tinha sentimentos.
Mas quando chegava a noite, era a hora de ser verdadeira com ela mesma..
A verdade? Raramente ela chorava frente ás pessoas, muito raramente.. aguentava, aguentava até ao ultimo segundo. Mas, a dor era tão grande, tão difdifícil suportar que ela pegava naquele objecto tão desejado e cortava-se, ficando a observar todo o sangue a escorrer e nesse momento no meio de tantos sentimentos, acabava por ficar ilesa chegando a um ponto que já não sentia nada.. há medida que se ia cortando mais vontade lhe dava de.. suicídio era algo que não saia da mente dela. Ela um dia não vai aguentar e quando esse dia chegar, por favor, não a impeçam.
ps: o ceu espera por mim.

[...] congelei [...]

Estou parada. Sinto o meu corpo frio, sinto a minha mente vazia (…) não sei o que pensar, estou congelada, simplesmente.
Falam para mim, olho e não respondo. O meu pensamento fica preso, as palavras fogem-me, estão também elas perdidas..
Grito no silêncio para encontrar respostas, chego á conclusão que as minhas conclusões não são conclusivas.
Estou inata, o clima está resfriado, o tempo passa á velocidade da luz.. dou por mim com os olhos cheios de água, olho para cima, porque sei que se uma lágrima cair, todas as outras virão a seguir..
Respiro fundo, tento e faço um esforço para que pensamentos felizes me venham á cabeça, mas não há espaço..
A felicidade é uma ilusão tão grande desejado por muitos, por mim também.

[...] qual? [...]


Nunca pedi respostas exactas a ninguém. Esperei sempre todo o tempo do mundo, insisti e não desisti pensando que daria em alguma coisa, mas não deu. Estava exausta, já não sabia o que fazer com tantas duvidas na minha cabeça, duvidas essas as quais eu não sabia responder. Sei que por vezes posso agir de impulso e falar demasiado, sendo até infantil ao dizer coisas que me fazem perder a pouca razão que tenho, mas tenho o meu feitio e por vezes não é fácil aceitar situações que são colocadas no meu caminho. É-me cada vez mais difícil concentrar e manter um raciocínio logico, já não sei como agir.
Agora, pergunto-me, qual será o fim? 

[...] tudo já passou [...]

Sinto-me orgulhosa por nunca ter desistido dos meus sonhos e dos meus objectivos que tracei. Solto um sorriso tímido, mas ao mesmo tempo triste e é então que as minhas lágrimas sobem aos meus olhos, mas com orgulho de ter chegado onde cheguei. Sei que não posso fazer nada e apenas limitar a ver.. Sou nada mais que uma revoltada que se cala e engole tudo, para não destruir o que ainda resta. Promessas, custa-me acreditar que foram meras coisas que voaram e nunca mais voltaram. Senti que tudo de mim fosse um nada e sinto-me como um resto de nada e tudo.
Tão estranho carregar uma vida inteira no corpo e ninguém suspeitar dos traumas, das quedas, dos medos, dos choros..
Ouço todas as palavras, desculpas e argumentos, mas uma palavra que me arrepia sempre, é impressionante e constante! Não é por mal que sou assim, mas há algo dentro de mim que me faz querer descarregar toda esta raiva que cresce há medida que ouço as tuas palavras e volto a atacar mas parece nada fazer efeito e resultar.. vou-me abaixo.
E mais uma vez faltam-me certas palavras para eu te mandar á cara, o meu pensamento fica preso. Senti a minha forma de ser querida, mas rapidamente voltei para a agressiva.. a sério, que estou perdida neste meio termo, canso-me de ser assim, acredita. Mas não te preocupes porque cada vez que falo contigo continuo com o mesmo sorriso sínico na cara.. então como sempre, ocultando toda a verdade eu choro, mas ninguém vê, mas eu choro muito, por não acreditar que isto tudo me aconteceu, ou por acreditar sim, que isto aconteceu! Agarro-me ao meu peito e volto a chorar milhões de vezes..
Adormeço sem vontade para nada e acabo por adormecer com a minha alma cheia de tristeza. Quero apagar a minha memória, quero que me respeitem, respeitem tudo o que sinto, quero que percebam que me perdi..
Porque, tudo já passou e a minha vida não passa de um ontem mal resolvido.

[...] sinto-me confusa [...]

Sinto-me confusa, não sei o que quero, nem o que deva fazer.. Gostava que tudo fosse diferente, que as coisas fossem bem mais fáceis para mim. Ás vezes tenho vontade de desistir.. outras vezes um impulso que não se sabe de onde vem, me impulsiona a seguir em frente, é, mas logo passa.
Não sei mais o que querem, acusam-me de estar errada mas não me ajudam a mudar. Não sou difícil, nem quero demais. Apenas quero que me compreendam, que vejam o meu mundo porque ele, é muito mais real daquilo que aparenta ser.
Por mais que sejámos fortes, não pudemos fugir as tempestades da vida e nem sempre é fácil admitir isso.
Eu só peço um canto para chorar, quero simplesmente chorar sem causar danos, quero um espaço só meu e unicamente meu para chorar e.. e ficar sozinha! Quero livremente chorar tudo, eu sei que ninguém encontraria explicação para tal, mas a verdade é que o quero, eu preciso!
Quero esconder de toda a gente, que os meus olhos por detrás de muita alegria escondem muitas lágrimas.. Eu sei que um dia todas estas magoas serão passado, saberei que depois destas virão muitas mais e irá ser sempre assim..
E mais uma vez, sinto-me só. Abandonada por mim mesma, mas mais por mim.. Passo em revisão os últimos anos passados, sem emoção.. vazios de sentimentos felizes, tempos roubados pela crueldade do destino que sempre senti, falsidade e enganos, falsas promessas.
O silencio na hora certa vale ouro. Ele pode falar mais que mil palavras, dar mil conselhos e evitar uma situação constrangedora, por isso prefiro me manter calada, no meu canto.. mas como continuo a ser culpada de tanta coisa? E quando se tenta ter uma conversa, é só discussões e no fim, o que se ouve, são gritos.
Penso que o silencio nos dá a oportunidade de sozinhos pormos em ordem a nossa cabeça.. mas eu, eu continuo confusa!

[...] cansei-me [...]

Quanto mais me calo, mais farta estou. O meu silêncio é proporcional ao meu cansaço. Estou cansada de assistir ao mesmo filme. Não consigo discutir o óbvio. É demais para mim. Calo-me então. Se já não argumento é porque me enchi. Se fico apenas a olhar ou quieta é porque já não tenho forças para debater. Já não acredito mais nas mesmas promessas, são tão falsas como o meu sorriso.
Sorrir para o mundo, mas por dentro choro. Choro por não me conhecer, por não me querer, por não ser aquilo que procuro. Talvez esteja farta de não ser compreendida. Seja lá o que for, estou farta.
Ia saber tão bem, fechar os olhos e não mais abrir, percorrer campos onde já não vejo o cinzento, mas sim o colorido..