sexta-feira, 16 de novembro de 2012

[…] Pai […]

Como lamento o facto de sermos parecidos.. A maneira de agir e reagir, de falar e termos uma raiva, um intuito nervoso em comum.
Já parei tantas vezes para perceber o porquê de tantos anos a usar a força para resolver as situações.. Não consegui perceber! Ou percebi, mas nada justifica o facto de o fazeres.. viste no que se tornou? Uma sequencia.. tu, mãe, eu. Agora porquê eu? Eu sei, já o disseste vezes sem conta que sou diferente e realmente sou. Ao contrário da pessoa a quem definem de filha perfeita eu não o sou, nem nunca o irei ser. Também não o desejo.. e não te posso perdoar por o fazeres!
Sei que te desiludi, sei bem.. Mas no fundo, eu não passo de restos, não passo de um objecto que foi usado e largado para o meio de uma estrada. Sei que nunca me vais perdoar por me ter metido nas drogas, enquanto tu me pedias, com todas as tuas forças, para estudar, para ler isto e aquilo e ver aqueles programas a que tu definias interessantes. Nunca percebeste que não era isso que eu queria! Mas preferiste tudo isso em vez de me vires falar.. sei, sei bem, o orgulho falou mais alto. Mas, sabes Pai, não me arrependo por o ter feito, porque foi uma escolha minha e unicamente minha e isso tu nunca vais aceitar. Não lamentes, não sintas pena, eu fui feliz! Porque, eu tive tudo aquilo que vocês não me deram, nem mesmo tu Pai.. a felicidade.


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