sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

Fiquei longos minutos a olhar para mim. O espelho mostrava com claridade aquilo que eu não queria ver em mim, mas que via. Por detrás daquela maquilhagem, vê-se tudo o que eu odeio. O meu olhar esconde todas as lágrimas pendentes por tudo o que até hoje viu. O meu rosto já não tem nada de bonito e continuo a olhar-me num silêncio que esconde todos os meus segredos escondidos. O que fui, já não sou mais. E vou-me embora […] Ando tão vazia, que nem para escrever sirvo. É como se tivesse tanta coisa para dizer e ao mesmo tempo não. Lá fora ouve-se o vento e a chuva a cair. É como se tivesse um nó na garganta e quanto mais tento desatá-lo, mais espesso ele fica e mais me sufoca. O meu coração congelou. Tento evitar chorar, tento me aguentar, tento ser forte e por isso fecho os olhos quando me dá essa vontade. Tento evitar pensar no passado, tento evitar sentir saudade do quanto quero mudar a minha vida e como seria mais fácil voltar para o caminho que já estive.. mas não posso, não posso porque sou melhor que isso, mas também não posso fugir porque não consigo. Mantenho os olhos fechados e todos os dias peço para que se fechem de vez, e foco-me na escuridão que vejo. É isso que também sinto, é isso que me abraça cada noite em cada pesadelo, é isso que permanece nos meus dias, é isso que me rodeia.. escuridão e nada mais.

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

[...] 1 de Dezembro [...]

O mês de Dezembro chegou e com ele as memórias também. Neste momento é como se tudo me destrui-se da mesma forma de uns anos atrás. Não me resta muito, senão aceitar. Tenho que aceitar que tu não estarás presente e se não estás é porque assim o decidiste. Não te irei mentir que ainda me lembro do que senti da primeira vez que vi o teu lugar vazio, da forma como os meus olhos se encheram de lágrimas, do primeiro Natal que passei sem ti.. Também me vou lembrar dos três dias deste mês em que tentei por fim á vida e não consegui. Não deu certo.. talvez porque ainda não chegou a minha hora, quem sabe [...] Mais do que nunca sinto-me completamente vazia, pensei que não fosse doer-me tanto, mas estava profundamente enganada. E não adianta me encherem de conversas porque a dor estará constantemente á superfície. Ironicamente com tudo isto aprendi uma coisa: a mentir. Sentar-me-ei junto a vocês e terei de fingir uma felicidade que não tenho e fazer de conta que somos uma família, uma família feliz! Terei de sorrir e mostrar que foi isto que um dia sonhei para mim, quando no fundo sei que nem vocês estão felizes, que o Natal já não tem o mesmo significado, que vos afeta aquele vazio (...)
Mas, basta. Não há nada que eu possa fazer, aconteceu e só terei de guardar isso bem lá no fundo de mim. Vou enfrentar e ser realista porque a culpa não é minha nem nunca foi! Saberei que um dia tudo mudará e depois destas memórias outras viram. Afinal, são apenas umas horas e aqueles dias, quando chegarem, irei sorrir e sem necessidade de dar provas a ninguém comprovarei a mim mesma o quanto sou forte e mostrarei que estou aqui para destruir aquilo que um dia me destruiu!