terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Dias assim [...]


Os últimos dias não têm sido fáceis, têm sido tristes, monótonos, solitários e sem sentido algum! Entre quatro paredes, olho para os lados, as minhas costas sentem o frio da parede e perco o chão. As minhas lágrimas caem há velocidade que o sol nasce, as noites tem sido longas.. sinto um enorme fervor no meu coração, é como se algo o consumisse e nesse momento ele vacilasse.. Estou perdida num mundo de lembranças, nos esqueletos do meus sonhos que em tempos pairavam no ar e descansaram solenemente.. hoje evaporaram-se! A amargura foi coberta pela delicadeza de uma pétala, e o sofrimento por uma gota de orvalho ..
E realmente eu sinto um vazio que carreguei durante toda a minha invisível existência! E foi então que a tristeza sorriu-me e olhou para mim com um olhar sofisticado.. Eu não sei bem dizer o momento em que ela me perdeu, mas não demorou muito a que ela me voltasse a encontrar […] Mas é mesmo assim, a dor está lá e eu aqui, no meu silêncio. E é a simplicidade do vento que hoje me tocou e sinceramente não me importei se a chuva caiu sobre mim, ela disfarça toda a tristeza acumulada durante a minha estupida existência, guardada no meu peito, na minha alma..  um campo onde não estou acostumada vem à tona, e é por ele que tenho de passar. Cheio de espinhos e buracos onde tropeço e me vejo sozinha.. a batalha é longa, mas não infinita.

sábado, 26 de janeiro de 2013

7 de dezembro de 2012


Nunca te tinha visto naquele estado, no entanto sei que ainda consegues ficar pior. Olhei-te vezes sem conta, via-te a cada movimento meu, sentia cada sentimento que ia dentro de ti.. Atingiste um certo limite, parecia que odiavas o mundo, mas mais a ti. Lágrimas caiam no teu rosto, mil e uma loucuras passaram pela minha cabeça e certamente pela tua também. Afastei-me de ti vezes sem conta, foi uma maneira de te proteger.. não te queria magoar. Fiquei longos minutos nos meus pensamentos e neles magoei-me, fortemente. Mas, no entanto fiz um esforço, talvez um dos maiores até hoje, não podia passar-me, ausentar-me, sair, chorar, gritar, nada.. no entanto, gritei em meu silêncio. E então, certa altura reparei que já estavas a caminho de uma longa viagem, mas viagem essa apenas com bilhete de ida. Mil arrepios apoderam-se de mim.. Jurei a mim mesma, se tu fizesses algo eu não aguentaria. Eu sei que larguei a minha mão imensas vezes, sei que me afastei, sei que até agressiva fui enquanto te falava.. sei bem. Sei que mal te mexias, mal falavas, mal abrias os olhos.. mas essa tua indiferença involuntária destruiu-me. Não, não tiveste culpa.. Pediste-me desculpa, mas não tem sentido. Foi uma escolha minha, eu escolhi-te. Cada uma foi para o seu lado, lágrimas caiam-me no rosto, palavras ficaram por dizer, o meu olhar transmitia tudo o que estava a sentir. Decidi escrever num papel tudo aquilo que te queria dizer .. é, eu amo-te mas no momento eu estava em mim, mas não comigo. 

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

[...] batalha inacabada [...]

No final do dia, o silêncio da noite é o mais perfeito. Os gestos não acompanham a mente e o corpo estende-se num tempo interminável. Vejo as sombras a dançarem á minha frente, mexem-se numa pureza incomum. As palavras, essas misturam-se há procura de um significado que não existe e sinto-me embalada numa respiração profunda de uma alma sem retorno. É estranho ao ponto de ser um sentimento que de tão horrível, destrói sorrisos.
E essas sombras misturam-se até me darem a volta á cabeça, imagens que se revoltam e logo desaparecem, palavras que desvanecem com a violência dos pensamentos. Vejo uma porta trancada, uma janela que bate incessantemente, lágrimas contidas a encher os olhos vidrados numa alma inquieta desfeita pelo vento. A respiração entrecortada não deixa em sossego o meu coração e assusta-me cada batimento.  Depois de semeadas, recolho palavras destruídas contra os momentos que magoam, palavras cortantes na minha pele e deixam marca. O meu olhar torna-se aflito, os espaços vazios, feridas abertas que sangram, cicatrizes escondidas.. Espadas fortemente encostadas ao sofá, sangue escorrendo pelas paredes e punhais pousados na mesa. Há um cheiro de luta no ar, mas a batalha não acabou.

domingo, 13 de janeiro de 2013


Entre todos os pedaços partidos, eu ainda sonho.. Ainda sustenho as minhas asas, as palavras nos dedos e aquele sorriso despreocupado de quem ainda se fascina por algo que já não existe. O mundo por vezes não consegue perceber como é que os sorrisos se sustentam na minha expressão.. Eu rasgo os meus lábios a tristeza e é isso que acredito, na felicidade fingida. E tenho a certeza que no cruzamento da lua com as estrelas, a noite fará mais um dos seus espectáculos. Fecho os olhos e adoro a chuva, ela cai e tapa as minhas lágrimas. E escondo o que de horrível tem os meus pensamentos e escolho as cores com que pintar a minha felicidade. Mas, por vezes, nem as mais belíssimas cores chegam para tapar toda aquela imensidão de tristeza.. E a noite cai, eu fico só. Adormeço embalada ao ritmo do meu coração, anoitecida pelo silêncio. E se nada mudou, então quem mudou fui eu. Boa noite.