terça-feira, 15 de janeiro de 2013

[...] batalha inacabada [...]

No final do dia, o silêncio da noite é o mais perfeito. Os gestos não acompanham a mente e o corpo estende-se num tempo interminável. Vejo as sombras a dançarem á minha frente, mexem-se numa pureza incomum. As palavras, essas misturam-se há procura de um significado que não existe e sinto-me embalada numa respiração profunda de uma alma sem retorno. É estranho ao ponto de ser um sentimento que de tão horrível, destrói sorrisos.
E essas sombras misturam-se até me darem a volta á cabeça, imagens que se revoltam e logo desaparecem, palavras que desvanecem com a violência dos pensamentos. Vejo uma porta trancada, uma janela que bate incessantemente, lágrimas contidas a encher os olhos vidrados numa alma inquieta desfeita pelo vento. A respiração entrecortada não deixa em sossego o meu coração e assusta-me cada batimento.  Depois de semeadas, recolho palavras destruídas contra os momentos que magoam, palavras cortantes na minha pele e deixam marca. O meu olhar torna-se aflito, os espaços vazios, feridas abertas que sangram, cicatrizes escondidas.. Espadas fortemente encostadas ao sofá, sangue escorrendo pelas paredes e punhais pousados na mesa. Há um cheiro de luta no ar, mas a batalha não acabou.

2 comentários: