terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

[...] retorno ao silêncio [...]


O final da tarde, faz-me sentir tranquila porque a minha segurança e bem-estar aproxima-se.  As horas e os dias passam tão rápido que já não dou conta disso, o vento vai e volta, o mar enche e vaza.. E eu encontro-me perdida, perdida descontroladamente dentro de mim mesma. Sinto-me perdida em sentimentos que dançam extasiados, pelos fios enlaçados da minha mente. A minha cabeça tornou-se tão repentinamente minha inimiga constante que deixei de ser racional! Às vezes o meu cérebro tem a particularidade de se tornar vazio, não é que fique ignorante, simplesmente fico vazia de sentidos ..como hoje. Sei que criei um mundo dentro de mim, dentro da minha cabeça.. um mundo paralelo, mas no fundo eu sempre vivi lá porque nunca quis pertencer ao mundo real, ao mundo de pessoas cobardes,  comuns, vulgares.. não, não quis nem quero!
Fecho os olhos e desejo loucamente voltar atrás no tempo.. e depois abro-os de novo e percebo que isso não é possível! Fere-me tal desilusão, desilusão de não ter conseguido e de ainda estar a viver esta dor.. virei uma autentica ilusão ambulante! Sei que não pertenço aqui e sei também que qualquer coisa que tenha sido, hoje não passa de fumaça! O olhar perdeu o brilho, o sorriso desvanece-se a cada dia que passa..
Um dia empurraram-me tão violentamente que acabei por ser esmagada nessa parede suja que construíram: nunca mais fui a mesma.
Não lamento o meu passado, sei que lamentar não vai fazer com que retorne lá, sei que não me vão trazer a minha felicidade de volta.. foi um tempo, um tempo passado! Mas como tudo, são cicatrizes inevitáveis e cada vez que me olho ao espelho eu lembro-me de quem fui, de quem sou, do que me fizeram e do que me tornei! Sinto ódio, raiva, nojo.. e guardamos no peito tudo isso e que o rosto incrivelmente não deixa esconder.. Magoa-mo-nos nessa pressa de deitar fora tudo o que nos destruiu, que caímos simplesmente. E essa dor constante ficará retida eternamente para morrer um dia, abraçada ao arrependimento que não ficou.. porque eu amei o amor dos meus enganos!
O pôr-do-sol fica para trás, e o que mais desejo é ficar sozinha, eu e a noite porque tudo queima e arde, tudo é pó e tudo, um dia morre! […]


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