Mãe, odeio escrever sobre ti ou para ti, sabes disso mas hoje senti necessidade de o fazer, talvez por ser o dia que é ou então simplesmente para escrever a raiva que sinto por ti. Custa-me acreditar na forma como as pessoas se rebaixam perante os outros quando ninguém é melhor que ninguém! Tens vindo a pedir desculpas de tanta coisa, mas há tanta coisa que não posso nem consigo te perdoar da mesma maneira que tu não me irás perdoar por tanto que eu fiz (...) e as desculpas vão surgindo há medida em que as verdades outrora escondidas surgem como relâmpagos, umas que tens vindo a descobrir, outras que ouves e por fim aquelas que hoje tu me perguntas e eu respondo já sem dó nem piedade. Várias vezes me destruiste, quebraste barreiras que eu mantinha para o mundo não me magoar e tu simplesmente não te importaste com isso. Foste egoísta, cobarde e preocupada com o que os outros pensam preferiste alimentar a raiva que tenho dentro de mim. Eu sei, eu sei perfeitamente que não sou de todo a filha que desejarias ter, que te envergonhei tantas vezes.. quando pensavas que eu estava na escola e eu não o estava e vieste por fim a saber o que andava a fazer.. ou por todas aquelas vezes que evitaste sair comigo por eu ter tido uma maneira diferente de me vestir, por estar lá fora há noite e não querer vir para casa, por ser fria quando me diziam algo querido e eu simplesmente ignorava, quando eu não te respondia cada vez que tu discutias comigo, por todos aqueles corte e sangue que tu vias diariamente no meu corpo, por raramente me veres em casa, por ter as minhas ideias e não permitir que me contrariassem! Mas hoje entendes que tudo isso teve uma razão.. tarde demais. Também eu não te perdoarei por tanta coisa (...) por manteres um casamento baseado numa mentira, por teres admitido que o pai te batesse por coisas que na maioria não tinhas culpa, por me teres posto de parte ao me dizeres que eu era uma merda, por todas as vezes que me bateste com o que calha-se na esperança que eu mudasse e deixavas-me a deitar sangue, por me teres chamado mentirosa por algo que estava em frente aos teus olhos e hoje tu sabes a verdade, por aquele dia em que desmaiei depois da dança e tu me teres ofendido após teres sabido o porquê com todas as tuas armas, por nunca me respeitares, por nunca me apoiares, por teres chamado de drogados aqueles que sempre me guiaram (...) Não te perdoarei por isso e muito mais! Se dói? Vai doer para toda a vida!
Eu não preciso de ti, mãe, não preciso porque no fundo nunca te tive e como deves calcular não sou de voltar atrás e reconstruir algo diferente, é uma história que jamais será recuperada, nem quero. Eu cresci e aprendi tanta coisa e só lamento que no dia em que deres conta disso seja tarde.. hoje é o dia da mãe, o dia que tu nunca deverias ter sido, pelo menos para mim, porque uma das coisas que eu mais lamento é ser tua filha.
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