quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Há muito que não escrevo para ti, pai, apesar de ser raro ainda o faço. Fiquei a pensar, seriamente nas palavras que a mãe me disse hoje numa das conversas em que insiste ter comigo. Afirmou com tanta certeza de que tu nunca irias falar comigo sobre o meu passado e sabes? Doeu, doeu-me tanto, mas no fundo eu entendo-te. Não seria fácil para ti o fazeres, já te magoei tanto que já não há nada mais para se destruir. E se algum dia o quisesses fazer, eu não sei se aguentaria, depois de tantos anos em silêncio a tua primeira palavra daria cabe de mim, abriria todas as minhas cicatrizes, despedaçava o meu coração e as lágrimas prolongar-se-iam nos próximos tempos. Por isto e por tantas outras coisas, eu prefiro que as coisas sejam assim. Prefiro o teu silêncio que apesar de doer, magoa menos. Prefiro passar por ti no corredor como em anos anteriores e fazer de conta que eramos desconhecidos, que tu não fazias ideia do que se passava comigo e ser tão fria ao ponto de não me importar com a tua dor. Apesar de saber que nunca o farás, perdoa-me e um dia perdoar-te-ei também.

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