terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

[...] Um espelho, mil mentiras [...]



E, a bem dizer, todos os dias pela manhã olho-me ao espelho durante longos e longos minutos, apesar de ultimamente o ter evitado e cada vez mais. E, enquanto me olho tento sempre procurar algo que eu me possa orgulhar, conforto-me com as minhas próprias palavras, mas a cada segundo sinto que já não tenho nada a possuir.  Por detrás das mentiras de todas aquelas pessoas falsas, sorrisos tornam-se lágrimas, os meus olhos brilhantes tornam-se completamente vazios e cada palavra dita se torna um pesadelo, apenas mentiras contadas em frente ao espelho.
A escuridão tornou-se de tal modo permanente, o vento cada vez mais frio e momentâneo tornou-se intenso enquanto a esperança, essa é reduzida a pó. Ainda que o tempo passe e que os oceanos me separem, o passado será sempre passado. As minhas ideias não se encaixam, são como castelos de cartas e uma leve ventania deita tudo para o chão e os sonhos que desenhei tornam-se pesadelos, pesadelos tão complexos que não é possível interpretar o que querem dizer.
A minha mente doentia ainda me atormenta. Tanta coisa que não consigo dominar, fantasmas do passado que vivem a me assombrar. Mesmo que chorasse todas as lágrimas que me restam ou gritasse até minha voz acabar seria suficiente para calar a minha mente e a única forma de silencia-la é esperar que o meu coração pare de bater.
As cicatrizes são aquelas que se mantêm fieis apesar de os ponteiros do relógio continuarem a girar. O sangue espalha-se sobre o chão, a angústia sobre o meu peito.  E de todos aqueles muros que levantei, das barreiras que impus só restam pó. Vejo a minha armadura a ser quebrada e a minha pele a ser dilacerada e só me resta esconder os meus sentimentos bons, talvez assim não contamine o meu coração.

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