sábado, 24 de agosto de 2013
Na
verdade eu sempre andei longe daqui, longe das pessoas, longe do próprio mundo
talvez seja por isso que criei o meu. Crescei sem ninguém para me proteger,
magoei-me tanto em cada passo que dava e ninguém compreendia. Os meus olhos
cansaram-se tanto de pessoas vazias que incrivelmente seguiram o mesmo caminho
ficando vazios também. As minhas palavras não são difíceis, apenas nem todas as
pessoas têm capacidade para entender aquilo que escrevo. Por todo o lado que
olho tudo parece deserto, gélido.. Cansei
de me explicar para quem nunca me vai entender. A dor de uma ferida quando se
abre é uma pancada tão forte que tu cais, mesmo que não queiras. E de tantas
dores acumuladas, tu enches-te e deixas de te importar seja com o que for. As
coisas perdem o valor, até tu perdes valor. E tudo passa a ser uma rotina, os
teus dias passam a ser tão monótonos que tu perdes a noção do tempo e sorris
para os outros quase num acto de obrigação. Os dias já não são o que eram e as
noites continuam a ser lindas como sempre, mas mesmo assim apenas desejas
desaparecer. Ainda tento encontrar a esperança inexistente na noite, ela que
acorda o silêncio do meu quarto, que sussurra ao meu ouvido as mais lindas palavras
e me enfeitiça. Os meus olhos sorriem e eu sei que não preciso de mais nada..
toda ela enche-me de arrepios e faz-me voar. Percorro os mais lindos paraísos e
encontro a felicidade que nunca tive. Sei que o dia vai chegar, restaram apenas
as sombras alucinantes que ofuscam todos os meus sentidos.. na minha cabeça este
labirinto de duvidas enlouquece-me a cada minuto que passa, mas sei que é a
hora indicada para as minhas lágrimas desaguarem tranquilamente […] uma lágrima
caiu do mais profundo do meu ser.. uma lágrima tão pesada, carregada de
emoções, de sentimentos.. Será que agora conseguirei dormir?
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